Sustentabilidade e inovação: como as empresas brasileiras podem liderar o futuro do ESG

Por João Francisco de Oliveira Lobato, Diretor de Sustentabilidade e Novos Negócios da QCP A constante mudança da economia global e dos negócios incentivam que empresas se comprometam cada vez mais em promover a responsabilidade ambiental, iniciativas sociais e governança corporativa, formando uma aliança entre a sustentabilidade e inovação. Sustentabilidade já não é mais pauta adjacente, mas prioridade em qualquer negócio. Valores alinhados ao ESG tornam empresas mais competitivas, resilientes e inovadoras, com maior credibilidade e reputação perante investidores e consumidores, proporcionando relações de confiança, colaboração e permanência. Há crescente valorização de posturas responsivas e expectativa da sociedade por empresas conscientes de seus impactos, que modificam suas ações no presente para colaborar com um futuro diferente – e, do ponto de vista ESG, ele promete ser desafiador. A nova edição da Pesquisa Panorama ESG revela que 71% das empresas brasileiras estão adotando práticas ESG em 2024, um aumento expressivo em relação ao ano anterior, cujo índice era de 47%. Mas, para uma real transformação, a preocupação com a sustentabilidade deve estar inserida no propósito de uma empresa e em suas declarações corporativas. Portanto, antes de definir objetivos e alinhar metas às diretrizes da ONU, é fundamental compreender o próprio modelo de negócio e impacto. De quem é a responsabilidade de liderar a agenda ESG? Ainda de acordo com essa pesquisa, a responsabilidade recai especialmente nos executivos de organizações, para que desenvolvam estratégias e boas práticas: a liderança da agenda está nas mãos especialmente dos CEOs (77%), com o apoio do governo (67%). Para garantir que as práticas ESG tenham sucesso nas organizações, é imperativo pensar em ações como a capacitação de e desenvolvimento de colaboradores, a integração da sustentabilidade na estratégia de negócios e previsão de orçamentos específicos, além de recursos financeiros para viabilizar as iniciativas. Todas essas ações podem ser delimitadas em um planejamento estratégico, que concederá à organização visão mais clara do futuro para liderar sua própria jornada e ganhar força para atrair mais pessoas à causa. “Estabelecer uma agenda estratégica de sustentabilidade, portanto, é ponto de partida fundamental para desenvolver um negócio com menos riscos e impactos mais positivos”. Com abordagem estruturada e integrada, melhoria pode ser sentida na eficiência e impacto, garantindo também crescimento sustentável e responsável a longo prazo. O futuro do ESG é colaborativo A saúde financeira de uma empresa, isoladamente, já não é mais suficiente para atrair investidores. Uma caminhada compartilhada nos leva mais longe, e isso vale também para a prosperidade dos negócios no contexto do ESG. É fato que nenhuma empresa pode resolver todos os problemas do mundo sozinha. Nesse sentido, colaborar com a solução de problemas sistêmicos tornou o processo administrativo mais estratégico e eficiente. Uma agenda ESG estratégica também aumenta a geração de valor financeiro e oportunidades de mercado – e, para aproveitá-las, deve ter direção e foco claro para essas colaborações, considerando os riscos, oportunidades e impactos mais relevantes para as partes envolvidas. Inovação e ESG: uma agenda compartilhada Sustentabilidade e inovação, enquanto ESG, são aliados: as novas tecnologias e metodologias trazem soluções estratégicas aos problemas socioambientais emergentes. Tecnologias sustentáveis têm se destacado como uma das principais tendências do mercado moderno e fomentando setores como energia renovável, eficiência energética, transporte e agronegócio. A agricultura de precisão, por exemplo, atua em um dos nossos principais problemas ambientais no Brasil, a necessidade de novas áreas para expansão da produção. Essa tecnologia alia a produtividade à redução do impacto, e que está em expansão no mundo, prometendo um crescimento de 61% até 2026. Essa inovação é um dos principais drivers que impulsiona as agtechs, modelos de negócios que operam com inovações no agronegócio, e o Brasil já lidera o mercado na América Latina, compondo 76,5% do total, de acordo com o relatório Agtech Report 2023. O transporte elétrico também é inovação que está no centro do palco da transição para mobilidades mais sustentáveis. Energia solar segue como alternativa sustentável e acessível, e as baterias de armazenamento de energia complementam a maximização das energias renováveis. É importante destacar a Internet das Coisas (IoT), tecnologia emergente que conecta dispositivos físicos em uma rede interconectada, permitindo a coleta e o compartilhamento de dados através da internet. Outras ferramentas e abordagens promissoras de atuação abrangente são: produção mais limpa e circular, transporte e mobilidade sustentável, processos NET-Zero, com balanços positivos de externalidades e valorização de serviços ambientais. ESG: perspectivas de mensuração e regulamentação Não existe atualmente órgão específico que faça a gestão do ESG no país, e esse é um dos principais desafios para a mensuração e compreensão concreta sobre a direção e o progresso destas iniciativas. É concebível que o governo e ou entidades privadas criem esse órgão regulador num futuro não tão distante, diante do crescimento desta agenda. Enquanto isso, algumas empresas já estão fazendo a sua parte e atuam no Brasil como bússolas de boas práticas e mapeamento de impacto. A B3, Bolsa de Valores do Brasil, lançou recentemente o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), com orientação de boas práticas de sustentabilidade e governança para investidores e empresas, promovendo transparência e visibilidade no mercado. O GRI, Global Reporting Initiative, tem inspirado diretrizes, permitindo que empresas brasileiras se alinhem aos padrões globais ao fornecer uma estrutura sólida e reconhecida internacionalmente. Temos também o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, uma coalizão que reúne empresas de diversos setores comprometidas com o desenvolvimento sustentável. O CEBDS atua como uma plataforma de diálogo entre empresas, sociedade civil e governo, contribuindo para a formulação de políticas públicas e iniciativas empresariais voltadas ao ESG. A partir deste ano, empresas de capital aberto listadas na B3 poderão reportar voluntariamente suas informações financeiras relacionadas à sustentabilidade (indicadores ESG), e se tornará obrigatória esse relatório a partir de 2026. Integrando um programa de jornada estratégica ESG na prática Implementar metas de sustentabilidade pode ser desafiador, exigindo estratégia, repertório, experiência, conhecimento do setor, boas práticas e soluções específicas. Com expertise de mais de 20 anos em políticas públicas e terceiro setor, a QCP oferece programa estratégico com ferramentas adaptadas a
Impactos de grandes empreendimentos: dilemas entre a sobreposição de direitos e o desenvolvimento econômico

A implantação e os impactos de grandes empreendimentos frequentemente geram discussões sobre conflitos de direitos. Um dos casos mais notáveis é o choque de interesses entre o indivíduo e a comunidade, que pode ser vista sob duas perspectivas: a comunidade local e a sociedade como um todo. Podemos considerar como bom exemplo de caso a instalação de um empreendimento hidrelétrico. Quando um projeto desse porte é conduzido pelo poder público de forma republicana, deve ter como premissa a obtenção de benefícios coletivos. A geração adicional de energia elétrica, por exemplo, favorece o desenvolvimento econômico e o bem-estar geral. No entanto, a construção de um grande empreendimento traz consigo impactos negativos, sobretudo sobre as comunidades locais e o meio ambiente. Entre esses impactos, podemos citar a realocação de comunidades, mudanças na paisagem, alterações no curso dos rios e transformações na infraestrutura existente. Uma linha entre benefícios e desigualdade dos impactos de grandes empreendimentos Embora existam consequências positivas, como o aumento de empregos locais e o desenvolvimento econômico, os impactos negativos persistem, e são sentidos principalmente pelas comunidades locais. Isso acontece pelo fato de não haver uma proporcionalidade na distribuição dos impactos negativos e positivos entre os envolvidos. Enquanto a coletividade obtém ganhos relativos ao maior desenvolvimento econômico, alguns grupos se veem extremamente prejudicados: indivíduos e famílias que precisam deixar o seu local de moradia e produção. Diante disso, podemos observar uma complexidade de conflito de direitos em várias dimensões: Direito da coletividade geral vs. direito das comunidades locais; Direito da coletividade geral vs. direitos individuais dos afetados localmente; Direito da comunidade local vs. direitos individuais de seus membros. É a partir disso que se deriva a complexidade da busca por soluções ideais na implantação de projetos desse porte e na compensação dos impactos. A consultoria ambiental, frequentemente chamada para mediar esses conflitos, assume um papel importante neste processo, que muitas vezes acaba chegando à esfera judicial. Os benefícios compensam os impactos negativos de grandes empreendimentos? A viabilidade ambiental de um empreendimento é tema central na discussão política: os efeitos benéficos da geração adicional de energia compensariam os eventuais danos? Com base nesta pergunta fundamental e, após estudos técnicos detalhados e especializados, supervisionados pelos órgãos ambientais, o poder público, que deve atuar como porta-voz da sociedade, decide pela implantação ou não do projeto. É justo, ao reconhecer os direitos das minorias, que a sociedade beneficiada compense as comunidades e indivíduos locais afetados. Se bem conduzido, com consultoria adequada e independente, espera-se uma compensação justa, ainda que isso eleve os custos de implantação e operação da usina, impactando o custo final da energia para os consumidores. A grande questão que permanece, então, é o reconhecimento justo dos direitos das minorias, no caso, as comunidades e os indivíduos locais. Afinal, existe uma tendência de que as decisões sejam baseadas na vontade expressa pela maioria. De quem é a responsabilidade dos impactos de grandes empreendimentos? A questão mais delicada reside no valor incalculável das perdas imateriais, como deixar para trás lares, vizinhanças e lugares de valor histórico e afetivo. Tais impactos, por sua natureza subjetiva, muitas vezes são negligenciados em termos de compensação. Como calcular isso? Com isso, a dimensão do impacto, nessas condições, deriva de uma interpretação subjetiva, só compreendida pelo indivíduo ou comunidade atingida. A compensação deve ir além de recursos financeiros, incluindo programas diversificados que compõem o processo de compensação socioambiental. Neste contexto, a atuação da consultoria ambiental torna-se ainda mais relevante para mediar compensações mais justas e abrangentes. No Brasil, os custos ambientais são assumidos pelo empreendedor, que faz a contratação direta da consultoria ambiental, eventualmente, comprometendo a independência do trabalho realizado. Que o custo ambiental recaia sobre o empreendimento para ser repassado depois à sociedade pelo preço dos serviços parece ser operacionalmente mais apropriado, mas isso não deveria implicar no processo de contratação direta. Há que se reconhecer que existem casos de oportunistas que, assessorados por aparatos advocatícios, se aproveitam do processo para benefício próprio. Instigam e prometem ganhos exagerados aos pouco instruídos, prejudicando um processo de compensação justo. Infelizmente, estes poderão se aproveitar da situação, tomando para si, recursos que poderiam ser mais bem distribuídos. É possível reparar os danos? Essa é a principal função dos Programas Ambientais nas etapas de construção de soluções que evitam, revertem, mitigam e, por fim, compensam os impactos causados pelos empreendimentos. No caso específico de deslocamento de populações, existem Programas de Reassentamento, Assistência Técnica, Indenizações, Programas de Reparação Social, Resgate Cultural, entre outros, que atuam diretamente com as comunidades afetadas. Humanizando o processo para garantir direitos coletivos e individuais É preciso reconhecer os direitos das minorias em oposição à vontade da maioria. Favorecer o desenvolvimento de uma consultoria socioambiental o mais independente possível permitiria maior humanização deste processo. Indispensável, também, considerar a construção participativa de soluções, recomendada pelos órgãos licenciadores, para mitigar impactos em comunidades. Não menos importante, possibilitar consultas públicas, reuniões de diagnóstico e a participação ativa das comunidades para garantir que as soluções sejam justas e duradouras. Este processo participativo evita retrocessos e limita a atuação de oportunistas que possam tentar se beneficiar indevidamente da situação. A transparência nas negociações e o envolvimento de todos os interessados garantiriam o respeito aos direitos e que as compensações sejam devidamente aplicadas. Quais são os desafios? É inegável que um país precisa recorrer aos seus recursos naturais para promover o desenvolvimento e o bem-estar de sua população. Contudo, esse caminho deve ser trilhado com cuidado, e resolver as questões ambientais, no sentido estrito e ecológico, é apenas o primeiro passo. A viabilidade ambiental é importante para um empreendimento, mas não suficiente. O verdadeiro desafio surge quando consideramos as questões sociais, especialmente sobre as populações locais diretamente impactadas. A missão da consultoria ambiental, em grandes empreendimentos, é promover a aproximação humanizada entre o desenvolvimento econômico e o equilíbrio socioambiental. É uma equação que pode parecer simples: poucos perdem e muitos ganham, mas a solução exige um pouco mais. Requer empatia, respeito e um compromisso genuíno com a justiça. Se muitos
Um breve panorama dos impactos de grandes empreendimentos no Brasil

No Brasil, grandes investimentos como usinas hidrelétricas e projetos de mineração são frequentemente considerados motores do desenvolvimento econômico. No entanto, os impactos de empreendimentos assim também afetam outras áreas. Essa é uma narrativa dominante, a qual muitas vezes ignora os profundos impactos de empreendimentos que podem recair sobre o meio ambiente, as comunidades locais e a estrutura social do país. Essas consequências têm sido observadas nos últimos anos e se estendem além do curto prazo, persistindo ao longo do tempo. Qual o contexto dos impactos de empreendimentos no Brasil? De acordo com um estudo de 2020 da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), as Unidades de Conservação (UCs) na região Sudeste têm sido severamente afetadas pela mineração e pela construção de infraestrutura. A fragmentação de habitats, a poluição e a perda de biodiversidade são alguns dos efeitos ambientais mais evidentes. Esses projetos, muitas vezes aprovados sem estudos de impacto ambiental rigorosos, mostram uma clara preferência por interesses econômicos em detrimento da preservação ambiental. Dados de 2023 do Instituto Socioambiental (ISA) e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) indicam que mais de 650 comunidades quilombolas no Brasil enfrentam desafios significativos devido à instalação de grandes empreendimentos. Além disso, a falta de consulta prévia e a violação dos direitos garantidos pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) são questões recorrentes. Na Amazônia, os impactos de empreendimentos são ainda mais devastadores, segundo os Relatórios da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As pesquisas apontam para um aumento dos deslocamentos forçados de comunidades indígenas e tradicionais, como consequência da construção de hidrelétricas e da expansão da mineração. Esses deslocamentos desestabilizam a segurança alimentar e econômica dessas comunidades, reforçando a pobreza e a desigualdade na região. Há, também, uma clara violação de direitos humanos, com casos frequentes de violência e repressão contra aqueles que tentam resistir. Impactos no meio ambiente No âmbito ambiental, a destruição de ecossistemas e a perda de biodiversidade ameaçam não apenas as espécies locais, mas também o equilíbrio ecológico global — e isso não é novidade. A degradação do solo e a contaminação de recursos hídricos são problemas que também acabam afetando a saúde pública a longo prazo. Tais efeitos são, muitas vezes, irreversíveis, e que podem levar décadas para serem mitigados, mesmo com esforços expressivos de intervenções ambientais. Olhando para o complexo cenário da Amazônia, é possível notar consequências mais graves dos grandes empreendimentos. Isso porque a destruição das florestas e a contaminação dos rios já têm demonstrado repercussões globais, especialmente no contexto das mudanças climáticas. Impactos no âmbito social Em nível social, os impactos são igualmente preocupantes e severos. Comunidades quilombolas e indígenas frequentemente perdem suas terras e veem suas culturas e tradições ameaçadas devido a deslocamentos forçados e expropriações territoriais. Muito além de uma questão territorial, a expropriação de terras representa a destruição de memórias culturais e a ruptura de práticas comunitárias que sustentam identidades coletivas. A falta de diálogo e consulta prévia reflete uma postura governamental e corporativa que desrespeita os direitos das populações afetadas, agrava tensões sociais e aumenta a vulnerabilidade dessas comunidades. Alternativas para lidar com os impactos de empreendimentos no Brasil Diante de um cenário complexo e multifacetado, as soluções para mitigar ou evitar os impactos de empreendimentos devem ser igualmente abrangentes e integradas. Além disso, essas práticas estão alinhadas aos princípios de justiça social e direitos humanos, que possibilitam um desenvolvimento econômico mais humanizado. Entre as soluções para contornar os principais impactos de empreendimentos no território nacional, pode-se citar: É importante considerar que os custos sociais, ambientais e culturais são profundos e, muitas vezes, irreversíveis. Estamos diante de um grande desafio: adotar estratégias de desenvolvimento que priorizem um modelo verdadeiramente inclusivo. Esse caminho é para que o país não corra o risco de comprometer o futuro sustentável. Caso contrário, poderemos perpetuar ciclos de desigualdade e injustiça social. Respeitar a diversidade de tradições, culturas e povos envolvidos nessas decisões significa, por fim, proteger os aspectos que constituem nossa identidade como nação. Para ler o artigo completo e outros materiais, acesse nossa Revista Digital QCP. Clique aqui.
Um olhar para as Eleições de 2024 a partir dos dados históricos municipais

As Eleições Municipais 2024 serão o palco do processo democrático em 5.570 municípios do país. Dentro de poucos meses, cidadãos poderão escolher seus líderes locais para representar seus interesses e moldar o futuro de suas comunidades. Diante do cenário político complexo e dinâmico do Brasil, é natural que surjam expectativas e questionamentos sobre esses rumos. O olhar retrospectivo dos dados de eleições municipais anteriores pode antecipar algumas tendências e desafios que aguardam o contexto atual. Por meio da análise dos resultados e padrões das últimas eleições, é possível ter insights valiosos sobre o comportamento eleitoral, as preferências dos eleitores e as dinâmicas políticas em nível local. Com base nos dados da plataforma Confirma, vamos propor uma análise das eleições passadas para traçar um panorama do cenário político atual. A ideia é fornecer uma visão embasada sobre os resultados eleitorais, as mudanças geográficas, as tendências partidárias e outros fatores relevantes com o objetivo de projetar desafios e questões potenciais para as Eleições Municipais de 2024. Representação feminina nos 5.570 municípios brasileiros A ferramenta de Candidaturas da Confirma permite filtrar as candidaturas de todo o Brasil, de acordo com o perfil desejado. Utilizando filtros por gênero, os dados revelam que a representação feminina nas Prefeituras não teve grande evolução nos últimos anos, ou até mesmo nas últimas décadas: O estímulo à participação feminina está previsto na legislação brasileira há 26 anos, mais exatamente no artigo 10, parágrafo 3º, da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997). A regra passou a ser obrigatória a partir de 2009 e, apesar de alguns avanços desde então, ainda há um longo caminho para alcançar a paridade de gênero na política municipal. É fundamental que sejam adotadas medidas para promover a participação das mulheres na política, incentivando sua candidatura, fornecendo apoio legal, financeiro e estrutural adequado e combatendo o sexismo e a discriminação de gênero no ambiente político. Se um espaço é majoritariamente formado por uma determinada classe, as políticas públicas irão refletir mais nesse grupo específico. Portanto, aumentar a diversidade de vozes e experiências na tomada de decisões municipais significa promover uma governança mais plural e representativa em todos os níveis. A presença partidária nas Câmaras Municipais nas últimas eleições Por meio da ferramenta de Mapa Partidário da Confirma, é possível visualizar a presença dos partidos em todas as eleições, auxiliando a compreensão do espaço ocupado por cada legenda, a cada pleito. Com isso, algumas tendências podem ser observadas em cada território. Entenda como está a presença partidária de vereadores eleitos em todo o Brasil, dos seguintes partidos: Confira a análise destes dados e outros insights provenientes da plataforma Confirma em nosso artigo completo da 1ª Edição da Revista Digital QCP, basta clicar neste link.
Inteligência estratégica e uso de dados nas campanhas eleitorais

Em um ambiente político cada vez mais dinâmico e complexo, é fundamental compreender o território em disputa sob uma perspectiva de dados, para campanhas eleitorais baseadas em inteligência estratégica. Afinal, os números não mentem: apenas volume, sem estratégia, terá pouco impacto em uma campanha eleitoral. Dados e informações georreferenciadas permitem pensar em ações estratégicas que direcionam tempo e recursos de forma assertiva. Essa visão aproximada oferece maior compreensão sobre as demandas e expectativas da população, além dos níveis de aceitação em determinada região e o perfil dos eleitores. Apesar de o uso de dados nas campanhas não ser algo completamente novo, as novas tecnologias favorecem a coleta de informações de uma forma como nunca antes tivemos acesso antes. Ainda é preciso considerar o uso ético e não apenas em benefício da sociedade, mas também como um elemento de fortalecimento dos processos democráticos. As Eleições Municipais de 2024 continuam sendo um momento crucial para a democracia local, considerando justamente o impacto das mudanças sociopolíticas e tecnológicas. É uma oportunidade, portanto, de pensar no uso da inteligência estratégica para a formulação de campanhas políticas mais eficazes e centradas na representação adequada dos interesses dos cidadãos. A transformação das campanhas eleitorais por meio dos dados Vamos voltar no tempo? Até algumas décadas atrás, os mapas eleitorais eram pintados à mão e o cruzamento das informações era completamente analógico, algo impensável para a agilidade e facilidade do acesso que temos atualmente, com as novas tecnologias. Agora, tente visualizar quanto tempo e verba poderiam ser aplicados de forma mais assertiva, não apenas na época em que o acesso a dados era um processo mais complicado e moroso, mas até hoje, por meio da identificação georreferenciada do perfil territorial e eleitoral de determinada região. É verdade que o aumento do acesso à informação também tem mudado, na mesma intensidade, os comportamentos, preferências, expectativas e exigências dos eleitores. Se antes o cenário político brasileiro era caracterizado especialmente pelo peso do carisma pessoal e das redes de influência tradicionais, atualmente as campanhas demandam uma nova forma de engajamento e persuasão. A transição de um modelo intuitivo para um baseado em evidências reflete justamente essa evolução significativa no planejamento e execução de campanhas políticas. Conhecendo quem são os eleitores, onde eles estão e quais são suas demandas, é possível elaborar programas de governo mais coerentes com a realidade de determinado território e entregar mensagens mais objetivas. O uso ético de dados e o fortalecimento dos processos democráticos É indispensável falar sobre a importância dos dados estarem em conformidade com a LGPD, garantindo respeito à privacidade dos eleitores. De forma mais prática, todo dado coletado, como nome, telefone e e-mail, precisa ser obtido de forma consentida, ou seja, autorizada pelo cidadão. Para isso, é importante reforçar a necessidade de procedimentos éticos e transparentes para a coleta de informações, além do investimento em tecnologias e processos de verificação. Ainda neste sentido, usar esses dados de forma estratégica pode tornar o processo eleitoral mais transparente e informado, tanto para os candidatos quanto para os eleitores, promovendo um debate público mais robusto e fundamentado em evidências. Pensar no uso sustentável das informações fornecidas por este processo também é crucial para formular políticas pós-eleição, já que os políticos eleitos podem ter a base de orientação sobre as preferências e necessidades da população para aplicar soluções durante o mandato. A importância das consultorias políticas no uso de dados Tão importante quanto obter uma base de dados é a análise adequada das informações coletadas para a elaboração de estratégias durante e após as campanhas eleitorais. Consultorias como a Quanta assumiram um papel fundamental para garantir a confiabilidade e legitimidade dos dados coletados. A Quanta oferece, ainda, análises avançadas para decodificar tendências eleitorais e comportamentais, com uma visão mais profunda não apenas do “quem” e “onde”, mas principalmente do “por que” os eleitores fazem suas escolhas. Os serviços e soluções abrangem uma série de áreas críticas, tais como: Quer saber mais sobre inteligência estratégica e uso de dados nas campanhas eleitorais? Acesse a Revista Digital da QCP e descubra novos olhares para Eleições Inteligentes: clique aqui.
Cidades Criativas: como e por quê investir nessa ideia?

Nos últimos anos, o conceito de Cidades Criativas tem ganhado força em uma variedade de ambientes ligados à cultura, desenvolvimento local e patrimônio histórico. Não estamos falando apenas de um espaço que reúne e estimula pessoas inventivas e com boas ideias, mas de um projeto que deve permanecer em constante evolução e que pode construir caminhos para municípios mais democráticos, independentes e prósperos. Essa política territorial é baseada na criatividade, reconhecendo e gerenciando de maneira responsável seus talentos locais para que novas soluções possam enfrentar os desafios urbanos atuais. Valorização da identidade, empreendedorismo, inovação e participação pública são aspectos fundamentais das cidades criativas. Então, como transformar essa ideia em casos concretos? Por mais políticas públicas a favor de cidades criativas É fundamental pensar em políticas públicas que priorizem a promoção de ecossistemas criativos locais, o fortalecimento da identidade cultural e a reorganização urbana equitativa para potencializar o desenvolvimento socioeconômico. Investindo em iniciativas que fomentam a criatividade, valorizam a cultura local e garantem acesso justo a serviços básicos, as cidades podem cultivar ambientes mais inclusivos, prósperos e colaborativos, beneficiando tanto seus habitantes quanto os diversos setores governamentais envolvidos. Podemos citar exemplos de cidades criativas no Brasil para demonstrar como gestões municipais e outras esferas do governo estão aplicando essa ideia de forma bem-sucedida. Em Belém, no Pará, temos um caso de ação articulada de diferentes atores locais em torno de uma mesma potencialidade: a cultura gastronômica – valorização que permitiu a entrada da cidade na rede da UNESCO. Penedo, em Alagoas, também é ótima referência de como o planejamento e trabalho articulado podem abrir oportunidades para cidades de todos os portes. Neste pequeno município histórico, às margens do Rio São Francisco, o audiovisual se tornou o motor para o desenvolvimento local, após a identificação da vocação cultural. 3 passos para incorporar essa ideia nos programas de governo A Quanta colabora com a implementação destas políticas nos planos de governo municipais, fornecendo orientações abrangentes e um roteiro claro e prático para uma integração efetiva. Em nosso projeto mais recente, editamos o guia “Transformação criativa das cidades brasileiras: Diretrizes para incorporação nos Programas de Governo Municipais de 2024”, para o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Para demonstrar a aplicação dessas diretrizes nos programas de governo, delineamos três passos essenciais com foco em uma implementação bem-sucedida: 1. Organização do Comitê: grupo responsável pela articulação das propostas na campanha; 2. Formulação das Propostas: sistematizadas, irão compor o Plano Municipal de Cidade Criativa, compreendendo desde o levantamento de indicadores até as ferramentas de análise; 3. Organização do programa: principal instrumento que sintetiza as ações de fortalecimento da criatividade no âmbito local: objetivos, metas e possíveis ações a serem desenvolvidas para alcançá-las – definidas a partir das potencialidades e demandas do município. O conceito de Cidades Criativas nos permite refletir sobre a evolução do desenvolvimento urbano e a redefinição dos pilares sobre os quais construímos nossas cidades – e este pode ser o futuro de ambientes mais inovadores, inclusivos, participativos, tolerantes, sustentáveis e conectados às novas tecnologias de informação e aos seus bens culturais. Quer conhecer alguns casos bem-sucedidos da implementação de Cidades Criativas no Brasil? Acesse a Revista Digital da QCP para conferir a descrição detalhada dos processos e resultados obtidos em Belém e Penedo: clique aqui.
4 serviços da QCP para impulsionar sua campanha eleitoral
Saiba como nossa equipe pode colaborar com a sua preparação para o pleito de 2024 Faltam pouco mais de seis meses para as eleições municipais de 2024 e aqueles que desejam concorrer ao pleito em outubro precisam começar a se movimentar. Planejar uma campanha eleitoral envolve não só planejamento, mas também boas escolhas sobre quem você terá ao seu lado para auxiliar e trabalhar junto no caminho do pleito. Para isso, a QCP – Inteligência em Políticas Públicas oferece serviços que vão de encontro às necessidades daqueles que irão concorrer aos cargos públicos em 2024. Continue a ler este artigo e descubra como a equipe QCP pode ajudar a impulsionar sua campanha eleitoral. 4 serviços da QCP para impulsionar sua campanha eleitoral Planejamento estratégico O planejamento estratégico desempenha um papel crucial em uma campanha eleitoral, pois fornece uma estrutura organizada para alcançar metas e objetivos específicos. Ao desenvolver um plano estratégico, os candidatos podem identificar o eleitorado-alvo, entender suas necessidades e preocupações, definir uma mensagem central convincente e escolher as táticas mais eficazes para comunicar essa mensagem. Para isso, a equipe QCP desempenha um trabalho em conjunto para identificar todos os pontos importantes, objetivos e características do candidato para traçar um planejamento assertivo. Diagnóstico social ou municipal Assim como o planejamento estratégico é importante, também é essencial entender mais sobre o município e a comunidade, através de um diagnóstico social. Por meio deste trabalho é possível fazer uma escuta aprofundada da população, especialmente dos segmentos invisibilizados pelo modelo de desenvolvimento do Brasil. Através deste diagnóstico é possível traçar objetivos e desenvolver uma campanha que atende às necessidades da população. Elaboração de programa de governo O desenvolvimento de um plano de governo é um passo obrigatório para quem concorre ao executivo – regra estipulada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Por isso, é extremamente importante trabalhar neste documento de forma estratégica, pois serve como um guia detalhado das políticas, propostas e compromissos que um candidato pretende implementar caso seja eleito para um cargo público. Realização de pesquisas Para além do diagnóstico social ou municipal, outros tipos de estudos e pesquisas podem ser necessários durante o período de campanha, de forma a entender mais sobre o cenário do pleito e as necessidades do município. Sendo assim, a equipe QCP está apta a desenvolver pesquisas quantitativas ou qualitativas sob demanda, focadas no interesse do cliente. Acesse nosso portfólio e conheça mais sobre o trabalho da QCP – Inteligência em Políticas Públicas: clique aqui. Para ler mais artigos como este, continue navegando no blog. A QCP – Inteligência em Políticas Públicas é uma empresa que constrói soluções para organizações do setor público ou de interesse público, com amplo conhecimento teórico, técnico e prático.
Entenda a importância do programa de governo para a candidatura eleitoral
Saiba quais elementos fazem parte do documento e o que leva a obrigatoriedade Peça fundamental no cenário político, o plano de governo é um documento detalhado que apresenta as metas, objetivos e políticas que um governo pretende implementar em seu possível mandato. É por meio das propostas delimitadas no documento que o candidato atrai seus votos e expõe suas ideias, tornando o plano de governo uma promessa pública. Mas o que é um plano de governo exatamente? Quais informações ele precisa conta? No artigo de hoje, respondemos essas e outras perguntas sobre o tema. Um documento obrigatório Antes de entender quais são as particularidades e detalhes de um plano de governo, é preciso saber que este documento não é uma opção. A apresentação de programa (ou plano) de governo está na lista de documentos obrigatórios que o candidato precisa enviar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso quer dizer que o candidato que não apresentar o seu plano não estará habilitado a participar da eleição. O conteúdo de um programa de governo Mas, afinal, quais informações devem ser incluídas neste documento? Não existe uma regra ou lei que define quais tópicos devem estar presentes em um plano de governo, no entanto, ao construí-lo, é necessário ter em mente que este documento apresentará as principais e mais importantes propostas do candidato. – Desta forma, ele deve contar informações sobre: – Políticas econômicas – Políticas sociais– Propostas para desenvolvimento sustentável e meio ambiente– Planejamento sobre segurança pública– Políticas públicas voltadas para saúde– Entre outros Um documento para ser levado a sério Por não ter regras claras sobre como deve ser executado, muitos candidatos se perdem ou não se esforçam para criar um plano de governo concreto. Nesta hora é preciso ter em mente que um plano de governo bem definido é essencial para garantir transparência, responsabilidade e eficácia na administração pública. Por meio do documento, os eleitores têm um roteiro claro que permite visualizar o que pode acontecer durante os quatro anos de mandato. Conte com a QCP na montagem do seu programa de governo A QCP – Inteligência em Políticas Públicas possui expertise na área de elaboração de programas de governo. Trabalhamos junto ao candidato e sua equipe para assessorar na elaboração e execução do programa, assim como no planejamento a longo prazo. Acesse nosso site e saiba mais. Para ler mais artigos como este, continue navegando no blog. A QCP – Inteligência em Políticas Públicas é uma empresa que constrói soluções para organizações do setor público ou de interesse público, com amplo conhecimento teórico, técnico e prático.
Quando é permitido fazer campanha eleitoral?
Descubra essa e outras datas do calendário eleitoral de 2024 Às eleições municipais batem à porta: estão logo ali, em outubro deste ano. Marcado para o dia 6 de outubro, o pleito elegerá prefeitos e vereadores pelos mais de 5,5 mil municípios brasileiros. Um eventual segundo turno acontece no último domingo de outubro, dia 27, nas cidades com mais de 200 mil eleitores em que a candidata ou candidato mais votado à Prefeitura não tenha atingido a maioria absoluta, isto é, metade mais um dos votos válidos (excluídos brancos e nulos). Com a aproximação do pleito, dúvidas sobre as principais datas que envolvem o calendário eleitoral surgem. Por isso, hoje, trouxemos os principais prazos referentes às eleições municipais de 2024. Confira: Calendário eleitoral 2024 Pesquisa de opinião O prazo para realização de pesquisas de opinião foi aberto na virada do ano, no dia 1º de janeiro. Desde essa data, empresas interessadas em realizar pesquisas de opinião pública sobre intenção de voto em eventuais candidatas e candidatos às Eleições Municipais de 2024 já podem fazer o registro prévio do levantamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Janela partidária O período em que vereadoras e vereadores podem trocar de partido sem perder o mandato acontece, chamado de janela partidária, entre os dias 7 de março e 5 de abril. Registro de estatutos e filiação partidária Dia 6 de abril, por sua vez, é a data-limite para obtenção de registros e estatutos do TSE por parte de todas as legendas e federações partidárias. Alistamento eleitoral Os jovens que precisam tirar o título ou eleitores e eleitoras que desejam transferir seu domicílio eleitoral ou alterar o local de votação têm até o dia 8 de maio para fazê-lo. Financiamento coletivo Pré-candidatos e pré-candidatas poderão iniciar suas campanhas de arrecadação prévia a partir do dia 15 de maio. A modalidade de financiamento coletivo pode ser usada desde que não existam pedidos de voto e obedeçam as demais regras relativas à propaganda eleitoral na internet. Convenções partidárias e registros de candidatura A realização de convenções partidárias está permitida entre os dias 20 de julho e 5 de agosto. Após a definição das, as agremiações têm até 15 de agosto para registrar os nomes na Justiça Eleitoral. Propaganda eleitoral A propaganda eleitoral poderá ser feita somente a partir do dia 16 de agosto, após o término do prazo para registro de candidaturas. Até lá, qualquer publicidade ou manifestação com pedido explícito de voto pode ser considerada irregular e é passível de multa. Horário eleitoral gratuito A tradicional propaganda gratuita no rádio e na TV é exibida nos 35 dias anteriores à antevéspera do primeiro turno. Sendo assim, a exibição deverá começar em 30 de agosto e será encerrada em 3 de outubro. Anotou todas as datas por aí? Para ler mais artigos como este, continue navegando no blog. A QCP – Inteligência em Políticas Públicas é uma empresa que constrói soluções para organizações do setor público ou de interesse público, com amplo conhecimento teórico, técnico e prático.
Conheça a consultoria dada pela QCP ao PIT de São José dos Campos
Os detalhes do trabalho desenvolvimento estão presentes nesta entrevista feita com o consultor Eros do Nascimento O Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (PIT SJC) está situado no Vale do Paraíba Paulista, a leste da capital do estado. O PIT é pioneiro no Estado de São Paulo – foi o primeiro parque tecnológico criado em território paulista. No ano de 2023, a QCP – Inteligência em Políticas Públicas deu início, junto ao Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, a uma consultoria para analisar o impacto econômico e social do PIT. O trabalho está sob responsabilidade do consultor da QCP Eros do Nascimento e tem a duração de seis meses. Leia abaixo a entrevista feita com Eros e saiba mais sobre o projeto: QCP: Como surgiu o projeto junto ao PIT SJC, qual o principal intuito dele? Eros: Este é um projeto para prestar consultoria técnica. Fomos contratados para fazer um levantamento de dados e sistematizar as informações socioeconômicas. O principal objetivo do parque é entender qual o impacto econômico e social que eles têm através da sua atuação. Ao mesmo tempo, o PIT também quer entender como é possível expandir sua atuação para outros municípios e regiões – uma vez que eles têm um know-how construído que envolve a marca, a metodologia e o networking. Além disso, o parque começou como uma política pública e, hoje, depende muito da prefeitura de São José dos Campos. Então, eles querem, como associação, expandir para outras localidades. E nós vemos que existe uma janela de oportunidade para que isso aconteça. Recentemente o Lula inaugurou o Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia, o ITA está indo para Fortaleza (CE). Então, existe essa abertura para expandir. QCP: E como esse trabalho vem sendo feito na prática pela QCP, quais as metodologias aplicadas? Eros: Nós desenvolvemos uma metodologia específica para o PIT que é baseada na triangulação de alguns componentes. O primeiro é a pesquisa primária, que é a entrevista em profundidade. Estamos fazendo 40 entrevistas em profundidade com os principais atores do PIT. O segundo componente são os dados secundários. Utilizamos tudo o que é publicado, artigos científicos, matérias que saíram na mídia… Tudo é utilizado com base na qualificação das entrevistas. O terceiro componente é a modelagem dos dados. Com base na triangulação das diferentes fontes, nós conseguimos modelar os dados. Por fim, a análise. Com base na triangulação dos dados e da modelagem, conseguimos fazer uma análise estratégica. Essa metodologia é muito utilizada em pesquisa de mercado e é possível utilizá-la em outros tipos de projetos também. Inclusive, ela não é muito utilizada no Brasil, somente lá fora. QCP: Diante de todo o trabalho que você vem fazendo junto ao PIT e de suas pesquisas e análises, como você enxerga a importância dos parques tecnológicos para o país? Eros: A importância deles é em promover a ciência e tecnologia e permitir que o Brasil se coloque de forma competitiva com outros países do mundo que investem em tecnologia e desenvolvimento. Entendemos que estamos em um momento em que o desenvolvimento de novas tecnologias vão determinar os países que vão se dar melhor ou não. É claro que os países que produzem foguete, computador, celular, robô, inteligência artificial, terão uma vantagem competitiva no futuro. Então, o caminho para o desenvolvimento do Brasil é também através desse tipo de iniciativa. Não é a única, é claro, mas permite congregar uma política de ciência e tecnologia de forma prática. LEIA TAMBÉM Conheça 5 parques tecnológicos brasileiros Saiba tudo sobre Parques Tecnológicos Eros do Nascimento é formado em Administração Pública pela FGV, possui mestrado em administração pública pela FGV. É doutorando na Universidade Estadual de Montes Claros e trabalha com consultoria há mais de 15 anos. Para ler mais artigos como este, continue navegando no blog. A QCP – Inteligência em Políticas Públicas é uma empresa que constrói soluções para organizações do setor público ou de interesse público, com amplo conhecimento teórico, técnico e prático.